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Insights&Talks #4 – Rennan Carsten
Neste episódio o host, Marcus Botaro, entrevista Rennan Carsten, CEO da Carsten Serviços e Transportes. A conversa é centrada na trajetória de Rennan no setor de transportes, que remonta a quatro gerações de sua família, e na fundação e evolução da Carsten. Rennan explica como a empresa, que começou como uma oficina e foi transformada em transportadora por ele aos 22 anos, se diferencia no mercado através de uma cultura forte e uma estratégia de crescimento orgânico bem definida. Eles discutem a visão de liderança de Renan, a importância da cultura como vantagem competitiva, o propósito da Carsten (“entregar”), e os planos estratégicos para dobrar o tamanho da companhia até 2028, com o objetivo de estar entre as dez maiores transportadoras do Brasil até 2030.
Nesta segunda parte, o CEO Rennan Carsten explora a transformação profunda na governança, estratégia e profissionalização do setor de logística no Brasil. A conversa revela a evolução da companhia após a transição para a cadeira de CEO, marcada pela montagem de um conselho consultivo independente, separação clara entre acionistas e executivos, contratação de um CFO e auditoria realizada por uma Big Four — elementos que elevam a maturidade corporativa, ampliam a credibilidade no mercado e facilitam captação de recursos. Rennan destaca que a raiz dos desafios logísticos brasileiros está na produtividade, especialmente no tempo que o caminhão fica parado. A falta de eficiência impacta preço do frete, remuneração dos motoristas e competitividade de toda a cadeia, criando um cenário em que grande parte da frota nacional roda vazia. A empresa trabalha com metas agressivas para reduzir deslocamento vazio e tornar a operação mais previsível, rentável e atrativa para profissionais do volante. A estratégia é integrada e orientada a soluções end-to-end: transporte primário, intralogística, armazenagem própria ou terceirizada e distribuição urbana. Um dos grandes diferenciais é a sinergia comercial entre as malhas de grandes indústrias — especialmente alimentos e bebidas — criando conexões inteligentes para reduzir custos, aumentar eficiência e capturar margem sem elevar preços. Tecnologia e Inteligência Artificial entram como força central, já em uso real no dia a dia. A IA não substitui o gestor, mas induz decisões mais assertivas com base em telemetria, torre de controle, dados operacionais e capacitação contínua dos colaboradores. A prioridade é abandonar decisões por feeling e transformar a cultura para uma lógica analítica e escalável. Sustentabilidade é tratada sob uma ótica pragmática: eficiência. Não basta operar com veículos elétricos ou GNV se os caminhões continuam circulando vazios. A companhia monitora emissões por rota com uma ferramenta própria e investe na renovação de frota como mecanismo de impacto real, econômico e ambiental. A reforma tributária surge como divisor de águas. Ela favorece empresas profissionais com governança consolidada e impulsiona a terceirização total da logística por parte das indústrias, que passam a buscar operadores especializados para capturar eficiência fiscal. Com a tributação voltada ao destino de consumo, São Paulo tende a se tornar um grande polo logístico. Por fim, Rennan reforça a importância do motorista como stakeholder central. Ele é o termômetro real da produtividade, da jornada, das janelas de descarga e das condições operacionais, sendo parte estratégica na construção de uma logística mais humana, moderna e sustentável. Uma conversa direta, técnica e visionária sobre produtividade, governança, tecnologia e o futuro da logística brasileira.
Neste episódio, o CEO Rennan Carsten discute a profunda transformação na governança e estratégia da companhia, destacando a importância da profissionalização do setor de logística e os desafios do mercado brasileiro. O vídeo aborda a transição de Rennan para a cadeira de CEO em janeiro de 2024 e o processo de profissionalização, que incluiu a montagem de um conselho consultivo com um conselheiro independente e a clara separação entre acionistas e executivos para evitar a vaidade inerente a um acionista executivo. A empresa investiu na expansão de horizontes e na compreensão da nova complexidade do mercado através de programas com instituições renomadas, como a Fundação Don Cabral. Essa maturidade em governança permite que a companhia realize captação de recursos no mercado com valores menores do que seus concorrentes. A profissionalização se estende ao quadro executivo, composto inteiramente por profissionais de mercado (ex-AMBEV, ex-Coca-Cola, ex-Suzano), e à contratação de um CFO, garantindo que os sócios não tenham mais acesso ao caixa da empresa. Um ponto central da discussão é que o principal problema da logística brasileira é a produtividade, e não apenas a mão de obra. A falta de foco no tempo que o caminhão fica parado, em vez de rodando, resulta em 40% da frota nacional circulando vazia (a meta interna da empresa é de 10%). Para Rennan, resolver a produtividade resolve o preço do frete, o potencial de ganho dos motoristas e a atração para a profissão. A empresa atua de forma estratégica, conectando as malhas de grandes indústrias para criar sinergia e reduzir o deslocamento vazio. No campo da tecnologia, o CEO afirma que a Inteligência Artificial (IA) é o presente, embora não tome decisões. A IA é utilizada para induzir a tomada de decisões mais assertivas, exigindo que a companhia prepare seus colaboradores para operar com dados, abandonando o “feeling” ou a sorte. O futuro da logística é visto na conexão do ecossistema e na oferta de soluções end-to-end (do transporte primário à distribuição urbana), um movimento impulsionado pela desmobilização de frotas dedicadas da indústria. Em relação à sustentabilidade, a principal bandeira levantada é a da eficiência, pois não adianta ter veículos de matriz energética diferente se os caminhões continuam rodando vazios. A empresa mede as emissões de carbono por rota através de uma ferramenta interna chamada “Mais verde” e investe em renovação de frota. Por fim, o vídeo detalha o impacto da reforma tributária, vista como um “limpa” que favorecerá empresas profissionais com governança. A reforma já está levando indústrias a terceirizar a logística própria, buscando benefícios fiscais e exigindo que operadores logísticos ofereçam soluções completas end-to-end. O estado de São Paulo é visto como a “bola da vez” devido à concentração de consumo, onde a nova tributação passará a ser feita. Rennan Carsten também ressalta a importância de considerar o motorista (próprio, agregado ou terceirizado) como o principal stakeholder da operação, pois ele fornece o termômetro da produtividade e das condições de descarga junto ao cliente
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